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Da Produção Artesanal à Produção Em Série


Durante o Período Medieval , a produção artesanal concentrava-se especialmente nas cidades fortificadas , onde era controlada por corporações de ofício . Nestas, mestres independentes, com o apoio de alguns aprendizes, especializavam-se na confecção de determinados produtos. Elas mantinham uma hierarquia entre aprendizes e mestres e funcionavam também como uma associação de apoio mútuo , ao mesmo tempo que evitavam a concorrência. Produzindo para um mercado e relativamente estável, os métodos de produção eram rigidamente fixados e as tentativas de mudanças recebiam punições severas , como a exclusão da corporação e a consequente proibição de se exercer o ofício. Essa situação começou a mudar com a implementação da política mercantilista , colocada em prática por monarcas de países como a França e a Inglaterra. Com a unificação do mercado interno, novas formas de produção foram incentivadas. A expansão marítima e o comércio colonial fizeram com que alguns comerciantes passassem a investir também na produção.  Assim, surgiu o sistema doméstico - conhecido como "putting-out system" , na Inglaterra , e Verlag , na Alemanha - , no qual o comerciante contratava o trabalho artesanal junto a famílias de camponeses. Especialmente na Inglaterra , a redução das posses e dos rendimentos da terra fazia os camponeses aceitarem o trabalho em domicílio como uma boa fonte de renda . Assim, desde o século XVII , uma parte da população rural trabalhava - principalmente no inverno , quando a atividade agrícola era menor - sob contrato com algum comerciante. Este fornecia a matéria-prima e algumas máquinas , pagando um salário pela tarefa executada. Outro processo produtivo se desenvolveu concomitantemente . Entre o final do século XVI e o século XVIII , o rompimento das regras corporativas para suprir as demandas do comércio externo abriu caminho para a mudança dos métodos produtivos .  Assim, aos poucos , alguns mestres-artesãos abandonaram as corporações e as cidades e investiram no agrupamento de diversos artesão em uma mesma oficina, dando origem às grandes manufaturas . Controlando a produção e, ao mesmo tempo, negociando a venda do produto final ou saindo em busca de fregueses , o novo "fabricante-mercador" foi uma figura proeminente em um período de ascensão da burguesia. As manufaturas reuniam diversos indivíduos , os quais produziam ao mesmo tempo. O trabalho do artesão era decomposto em várias sub-tarefas . Os trabalhadores , individualmente ou em grupos , especializavam-se em uma parte da produção. No final do século XVIII, EM SEU LIVRO "A Riqueza Das Nações", o escocês Adam Smith (1723-1790) , descrevendo uma pequena manufatura de alfinetes , fez apologia à divisão técnica do trabalho, presente nessa organização.  Dessa maneira , a divisão do trabalho se transformou em uma excelente solução para a produtividade , ampliando a quantidade de mercadorias produzidas e economizando tempo. A reunião de trabalhadores em um [...] Esse processo foi acelerado pela introdução massiva das máquinas na Inglaterra , no final do século XVIII, dando origem às maquinofaturas ou fábricas modernas. A utilização das máquinas no processo produtivo ocorreu lentamente entre os ingleses. Os artesãos já usavam pequenas máquinas movidas à força humana. A partir de algumas invenções , a produtividade deu um salto . Com um das primeiras máquinas modernas , que se chamava "Jenny" e era utilizada no sistema doméstico, uma pessoa sozinha dava conta do trabalho de 12 fiandeiras. Contudo, máquinas maiores , usadas na fiação, já não se prestavam à utilização doméstica e impulsionavam , ainda mais , a concentração de trabalhadores.  Com isso, a indústria do algodão foi uma das primeiras a adotar o sistema de fábrica e a mecanização. Cada ramo que se mecanizava forçava os outros a utilizar novas máquinas para acompanhar o ritmo da produção. Aos poucos , outras fontes de energia se fizeram presentes. O uso dos teares a vapor , por exemplo, multiplicou-se na Inglaterra , em 1823, havia 2,3 mil teares em atividade e , em 1850, 224 mil. A vocação das novas indústrias se voltava para produtos de consumo de massa , com foco no mercado externo. Os domínios coloniais davam à produção inglesa a capacidade de gerar seu próprio consumo. Por volta de 1840 , o continente europeu consumiu cerca de 190 milhões de metros de tecidos de algodão britânicos ; já a Ásia , a América (Exceto os Estados Unidos) e a África , juntas , adquiriram 500 milhões. As maquinarias e fábricas exigiam certo investimento e comportavam algum risco. 


Comércio Exterior , Dívida Externa e Questões Ambientais


As relações econômicas internacionais representam um problema particular para os países os setores que tentam administrar seu meio ambiente , porque a exportação de recursos naturais continua sendo fator de peso em suas economias , sobretudo no caso dos menos desenvolvidos . A instabilidade e as tendências de preços adversos enfrentadas pela maioria dessas nações impossibilitam-lhes administrar suas bases de recursos naturais com vistas a uma produção constante. O ônus cada vez maior do serviço da dívida e a diminuição de novos fluxos de capital intensificam as forças que levam à deterioração do meio ambiente e ao esgotamento dos recursos , em prejuízo do desenvolvimento em longo. O comércio internacional de madeiras tropicais, por exemplo, é um dos fatores do desflorestamento dos tróficos. A necessidade de obter divisas faz com que muitos países em desenvolvimento cortem madeira a uma ritmo mais acelerado que o da regeneração das florestas. (...) O modo como se processa o comércio internacional pode também estimular políticas e práticas desenvolvimentistas inviáveis , como as que vêm deteriorando cada vez mais as terras de cultivo e as pastagens naturais nas regiões áridas [e semi-áridas] da Ásia e da África. É o que ocorre , por exemplo, na região do Sahel , devido ao crescimento da produção algodoeira para exportação."

(Comissão sobre meio ambiente e desenvolvimento. Nosso futuro Comum . Rio de Janeiro, Editora da FGV - Instituto de Documentação, 1988, p. 72 e 73.)


O Choque Entre Culturas E O Etnocentrismo



Do encontro de uma cultura com outra decorre, de modo geral, a avaliação recíproca , ou seja, traz o julgamento do valor da cultura do "outro". Normalmente esse julgamento é feito a partir da cultura do eu". Assim, a análise da outra cultura tende a considerar a sua própria  como a ideal, a perfeita , a mais avançada. Passa-se , então, a desprezar os valores , o conhecimento , a arte , as desprezar os valores , o conhecimento , a arte , as formas de comunicação, as técnicas , enfim , a cultura do "outro", e até mesmo os atributos físicos "outro", como cor de pele , altura , tipo de cabelo etc. Com isso , estão lançadas as bases para o etnocentrismo , ou seja, os outros são julgados baseados em nossos valores e modelo de vida. Não conseguimos entender as diferenças culturais existentes em relação  a um outro grupo étnico, o que pode provocar sentimento de medo e de hostilidade. Em casos extremos de etnocentrismo , cultiva-se a ideia de que o povo do qual se faz parte , aliado à sua  cultura particular , é superior aos "outros". O etnocentrismo remonta aos primórdios da história e foi um elemento básico do processo de identificação de um grupo sócio-cultural . É um traço natural de todas as culturas e corresponde a uma forma de legitimação de determinada realidade, a qual é construída socialmente. No entanto, o etnocentrismo transforma-se em problema quando utilizado para oprimir uma outra comunidade étnica ou para conquistar povos e territórios.


O New Deal


O período subsequente à crise de 1929, conhecido como a Depressão dos Anos 30 , obrigou os países a reorganizarem suas políticas econômicas. Como a superprodução havia sido a principal razão da crise, os países industrializados tomaram duas medidas básicas para revolver o problema. Uma delas foi a participação mais efetiva do Estado no planejamento das atividades econômicas , tendo em vista , entre outros objetivos , a adequação entre a quantidade de mercadorias produzidas e o tamanho do mercado. A outra medida apoiou-se na necessidade de uma melhor distribuição da renda, com o objetivo de ampliar o mercado de consumo. Acreditava-se que era necessária melhorar as condições financeiras dos trabalhadores, a fim de que eles pudessem adquiridos mais produtos e mais variados. Partindo dessas duas iniciativas básicas, os Estados Unidos conseguiram contornar os efeitos da crise com maior eficiência e num prazo mais curto de tempo. Com a criação de um amplo programa de obras públicas, o governo do presidente Franklin Roosevelt ( de 1933 a 1945) conseguiu aos poucos amenizar o desemprego e manter a economia relativamente aquecida. O NEW DEAL (Novo Acordo) , como ficou conhecido o programa de recuperação econômica implantado por Roosevelt, era inspirado nas teorias do economista John Maynard Keynes (1883-1946) . Para Keynes , o Estado não deveria se militar apenas a regular as questões de ordem socioeconômica e política , mas também devia ser uma planejador , que dava as diretrizes , fixava as metas , estimulava este ou aquele setor da economia de acordo com a conjuntura dentre cada momento. Keynes não acreditava na auto-regulação do mercado , pois a Crise de 1929 tinha mostrado o contrário. As idéias de Keynes , colocadas em prática nos Estados Unidos, foram seguidas por alguns países europeus que, no final da década de 1930, já haviam retomado o desenvolvimento. Mas, em 1930 , eclodiu a Segunda Guerra Mundial, que arrasou novamente com a economia desse continente.


Os Desafios À Democracia


[...] Os desafios que são postos à democracia no nosso tempo são os seguintes. Primeiro, se continuarem a aumentar as desigualdades sociais entre ricos e pobres ao ritmo das três últimas décadas , em breve, a igualdade jurídico-política entre os cidadãos deixará de ser um ideal republicano para se tornar uma hipocrisia social constitucionalizada. Segundo, a democracia atual não está preparada para reconhecer a diversidade cultural , para lutar, eficazmente contra o racismo , o colonialismo , o sexismo  e as discriminações em que eles se traduzem . [...] Terceiro, as imposições econômicas e militares dos países dominantes são cada vez mais drásticas e menos democráticas. Assim sucede , em particular , quando vitórias eleitorais legítimas são transformadas pelo chefe da diplomacia norte-americana em ameaças à democracia , sejam elas as vitórias do Hamas [na Palestina], de Hugo Chávez [na Venezuela] ou de Evo Morales [na Bolívia]. Finalmente , o quarto desafios diz respeito às condições da participação democrática dos cidadãos. São três as principais condições : ser garantida a sobrevivência : quem não tem com que alimentar-se e à sua família tem prioridades mais altas que votar; não estar ameaçado: quem vive ameaçado pela violência no espaço público, na empresa ou em casa , não é livre , qualquer que seja o regime público em que vive ; estar informado : quem não dispõe da informação necessária a uma participação esclarecida , equivoca-se quer quando participa , que quando não participa. Pode dizer-se com segurança que a promoção da democracia não ocorreu de par com a promoção das condição de participação democrática. 

-Sousa Santos , Boaventura de. O futuro da democracia. Visão. Paço de Arcos: Edimpresa , 31 AGO. 2006 . Disponível em <www.ces.uc.pt/opiniao/bss/164.php>. Acesso em : 7 mar. 2007.


A Grande Crise do Capitalismo


Como vimos , na segunda metade do século XIX, o sistema capitalista ampliou a produção numa proporção muitas vezes  maior que a capacidade do mercado de consumo existente nos países industrializados. A busca de novos mercados e fontes de matérias-primas tornou-se indispensável à sustentação dessa nova etapa produtiva . Ingleses , alemães , franceses , belgas , norte-americanos e japoneses impuseram sua força industrial, submetendo vários países do mundo a um controle imperial nunca antes visto. Os investimentos nessa nova etapa de produção industrial e a extensão do mercado internacional de serem realizados por um único empresário. Para viabilizar os novos investimentos foram criadas as Sociedades por Ações (S/A) . Consolidaram-se os mercados de capitais onde todos podem investir numa empresa através da compra de ações. Com a venda de ações , as empresas conseguiram ampliar a sua capacidade financeira e , consequentemente, tornaram-se mais fortes , competitivas e elevaram a sua capacidade de produção. No início do século XX, a Bolsa de Valores de Nova York era o principal centro de investimento internacional. O volume de negócios ali realizados diariamente dava a impressão de que nada mais poderia deter o ritmo desenfreado do desenvolvimento capitalista. Mas o capital investido na produção não foi acompanhado pelo crescimento do mercado de consumo. Esse descompasso entre uma superprodução desordenada e a ausência de consumidores com capacidade para absorvê-la ocasionou a grande Crise de 1929 . As fábricas , não tendo praticamente como vender suas mercadorias, reduziram drasticamente suas atividades; a produção agrícola , também excessiva , não encontrava compradores e o comércio tornou-se inviável. Nesse contexto , houve um processo de falência generalizada, muitos trabalhadores perderam seus empregos  retraindo totalmente o mercado de consumo. Aqueles que viviam exclusivamente dos investimentos do mercado de capitais , particularmente da compra e venda de ações , viram o valor de seus títulos despencar, transformando-se em papéis sem valor. A crise iniciada em Nova York , nos Estados Unidos, afetou rapidamente o mundo todo. Os países produtores de matérias-primas e alimentos , que dependiam economicamente das exportações para os países industrializados, não encontravam compradores para seus produtos e entraram em colapso. O Brasil , nesse período , que dependia basicamente da exportação de café, foi profundamente abalado pelos efeitos mundiais da crise.


Temperatura , Cinética Química e Seres Vivos


Todo ser vivo depende de muitas reações químicas que ocorrem dentro de seu organismo. O conjunto dessas reações químicas é chamado de metabolismo. A velocidade de tais reações depende da temperatura do organismo; quanto maior a temperatura , maior a velocidade das reações. O ser humano tem uma temperatura que permanece, em geral, constante ao redor de 37¤C. O aumento da temperatura , denominado hipotermia , faz o nosso metabolismo se acelerar. É o que acontece quando temos febre: nosso corpo trabalha em ritmo acelerado e, graças a isso, consome mais oxigênio e mais glicose. A febre é um mecanismo de defesa; permite matar vírus e bactérias mais rápido porque mobiliza o sistema de defesa natural do organismo. Contudo, temperatura corporal que se mantenha acima de 41,7¤C pode causar a morte porque acelera demais algumas reações que destroem substâncias vitais , chamadas enzimas.  Quando a temperatura corporal decresce, o consumo de glicose e oxigênio diminui graças à diminuição da velocidade das reações químicas do metabolismo. A redução da temperatura normal do nosso organismo caracteriza a situação de hipotermia. Ela pode acontecer , por exemplo, com pessoas que permanecem em mares frios depois de naufrágios ou queda de aeronaves. Temperaturas corporais prolongadas inferiores a 30¤C são fatais. Reduzem tanto o metabolismo que as reações vitais passam a ter velocidade insuficiente para manter a pessoa viva. O uso controlado da hipotermia pode, contudo, ser utilizado em Medicina. Em certas cirurgias cardíacas ou cerebrais, o paciente anestesiado é resfriado a cerca de 30¤ C, por contato com gelo . Isso reduz o consumo de oxigênio do coração ou do cérebro e reduz a chance de danos causados pela falta de circulação sanguínea, inevitável em alguns procedimentos cirúrgicos. Aqueles animais que , ao contrário dos humanos, não mantêm sua temperatura constante (por exemplo, os répteis e os anfíbios) possuem um metabolismo extremamente sensível à temperatura ambiente. Em tais animais, a velocidade das reações metabólicas aumenta durante o dia e diminui à noite, de acordo com a variação de temperatura do ambiente.  Graças a isso, eles precisam comer mais nos dias quentes de verão do que nos dias mais frios do inverno. Nas regiões mais distantes do equador e dos trópicos , onde os invernos são rigorosos , muitos desses animais costumam hibernar, ou seja , reduzir a velocidade  de seu metabolismo ao mínimo, entrando num "sono profundo" e só acordando na primavera , quando a temperatura ambiente volta a subir.


O Que As Mitocôndrias Podem Informar Sobre A Evolução Humana?


Na década de 1980 , a análise de dados genéticos passou a fazer parte das investigações científicas a respeito da origem dos humanos modernos. Uma ferramenta importante é a análise do DNA mitocondrial. Como vimos anteriormente , nem todo o material genético de uma célula encontra-se no núcleo. Nos seres humanos, além do genoma contido nos 23 pares de cromossomos, existe o DNA mitocondrial , que é circular e contém 37 genes , cada mitocôndria contém diversas cópias dessa molécula. A herança do DnA mitocondrial difere dos padrões de herança do DNA nuclear , pois as organelas citoplasmáticas de um zigoto - incluindo as mitocôndrias - vêm apenas do gameta feminino. Os espermatozoides contribuem na formação do zigoto apenas com o centríolo e o conjunto haploide de cromossomos nucleares provenientes do pai. Apesar de mitocôndrias do espermatozoide entrarem no ovócito no momento da fecundação, elas logo degeneram. A herança do citoplasma, portanto, é transmitida basicamente pela mãe para a descendência. O DNA mitocondrial tornou-se uma ferramenta útil para interpretar eventos evolutivos recentes por dois motivos básicos:

-ele apresenta uma taxa de mutação elevada; as mutações são a fonte primária de variedade entre as moléculas. A comparação entre moléculas homólogas pode informar o tempo de divergência entre elas a partir de uma condição ancestral ; quanto maior o número de diferenças , maior o intervalo de tempo. No DNA nuclear , com uma quantidade de nucleotídeos muito maior e uma taxa de mutação menor , essas diferenças são mais difíceis de ser analisadas; -Não há recombinação entre genes maternos e paternos no DNA mitocondrial , pois a mitocôndria é herdada apenas da mãe. Isso facilita a interpretação dos dados , pois a variabilidade no DNA mitocondrial de uma população pode ser considerada como resultado do acúmulo de mutações gênicas, e não de recombinação. A análise de DNA mitocondrial em populações humanas revelou que a variação nesse DNA em humanos atuais é muito pequena. Uma explicação para este fato é que os seres humanos originaram-se recentemente na escala do tempo geológico, o que é corroborado pelo registro fóssil. Outra observação importante foi que os africanos apresentam, dentre as populações humanas atuais , a maior variabilidade no DNA mitocondrial, o que pode indicar que se trata da população mais antiga. Esse dado também sustentaria a hipótese mais aceita atualmente de que os hominídeos surgiram na África.   No entanto , existem outras interpretações possíveis para esses dados moleculares , como a de que a variabilidade do DNA mitocondrial em populações africanas resulte apenas do fato de serem descendentes de populações mais numerosas. Os dados moleculares certamente constituem uma ferramenta importante , mas sua interpretação não é fácil e ainda existem muitas controvérsias no meio científico em relação às hipóteses sobre a origem do Homo sapiens.


As Castas no Japão


A desigualdade com base nas castas não é uma coisa do passado no Japão, apesar de toda a modernização e da presença de alta tecnologia. Oficializadas durante o período Edo (1600-1868), as castas foram abolidas em 1871. A casta de maior importância era a dos samurais, seguida , em ordem decrescente , pela dos agricultores , pela dos artesãos e pela dos comerciantes. Havia ainda os párias (desclassificados) - entre eles , os hinins , aqueles que eram considerados "não gente", como mendigos , coveiros , mulheres adúlteras e suicidas fracassados , e os burakumins, pessoas encarregadas de matar , limpar e preparar os animais para o consumo. A classificação social dos burakumins tinha motivos religiosos. Um desses motivos provém do xintoísmo , que relaciona morte a sujeira , e o outro provém do budismo , que considera indigna a matança de animais. Na soma das duas crenças , quem tivesse o ofício de trabalhar com couro ou carne de animais mortos deveria ser isolado e condenado a uma situação subalterna. Os descendentes dos birakumins , cerca de 3 milhões de pessoas , ainda vivem segregados e dificilmente conseguem empregos que não sejam de lixeiros, limpadores de esgotos ou de ruas. Quando revelam suas ascendência , a vida deles é sempre investigada, seja no ato de pedir emprego, seja nas tentativas de se casar. O governo japonês criou programas voltados para combater essa discriminação, entretanto, isso não se resolve por decreto, pois as questões culturais são mais fortes que os decretos governamentais. Há também , desde 1922, associações de burakumins , que procuram lutar contra a segregação, que , de maneira generalizada, está tanto no interior das pequenas volas quanto nas grandes empresas. Este texto aponta a permanência de aspectos relacionado ao sistema de castas e de estamentos na sociedade contemporânea. Existem diversas outras situações nas quais se observa alguma característica dessas formas de desigualdade no mundo atual. Como você explica a permanência desses tipos de desigualdade?


As Lutas na África



Na África , foi grande a resistência das potências imperialistas. As riquezas minerais fizeram com que muitos países consentissem a autonomia política de suas antigas colônias, enquanto mantinham vínculos econômicos que dificultavam a soberania econômica indispensável para o desenvolvimento das jovens nações. A essa subordinação econômica chamamos neocolonialismo. As colônias portuguesas se tornaram independentes graças à ação de patriotas como Amílcar (Guiné) e Agostinho Neto (Angola), que pagaram com a vida a emancipação de seus países. Nas colônias ingleses , a independência acabou sendo reconhecida pela própria Coroa britânica , que tratou de assegurar o seu domínio econômico nessas regiões. A França lutou contra os movimentos pró-independência , especificamente na Argélia. A  resistência francesa opôs muçulmanos e argelinos de origem francesa, que detinham os melhores cargos e terras. Devido à interferência francesa , foi estimulada a aversão ao dominador , resultando num movimento de guerrilhas que, além de obrigar ao reconhecimento da independência , fez com que muitos argelinos franceses abandonassem o país, retornando à Europa , pois eram odiados pela população muçulmana (maioria). Os problemas do Congo surgiram após a independência . Rica em minérios, especialmente diamantes , a região se tornou alvo de disputa de vários países interessados em garantir reservas de exploração e concessões especiais. O chefe nacionalistas Lumumba , defensor da autonomia do país, foi assassinado devido a manobras de elementos de seu próprio governo; venceu a corrupção dos líderes mais comprometidos com seus próprios interesses do que com as necessidades da nação. O grande líder nacionalista egípcio foi o presidente Gamal Abdel Nasser , que assumiu o poder em 1954. Seu grande sonho era a unificação árabe, e , para isso, realizou conversações diplomáticas frequentes com os demais países. Na tentativa de forçar o conhecimento da autonomia egípcia frente às potências europeias, nacionalizou o Canal de Suez, passagem obrigatória de navios ingleses e franceses. Esse fato provocou imediata reação dos dois países e de Israel , que , na Guerra de Suez, havia se apoderado da região. Para evitar o agravamento do conflito , a ONU e os EUA defenderam a soberania egípcia e obrigaram e recuo de posições tomadas por Israel nas batalhas.


Escolhas e Repercussão Social



Toda sociedade grande e complexa tem, na verdade , as duas qualidades: é muito firme e muito elástica . Em seu interior , constantemente se abre um espaço para as decisões individuais. Apresentam-se oportunidades que podem ser aproveitadas ou perdidas. Aparecem encruzilhadas em que as pessoas têm de fazer escolhas , e de suas escolhas , conforme sua posição social, pode depender seu destino pessoal imediato , ou o de uma família inteira, ou ainda , em certas situações de nações inteiras ou de grupo dentro delas. Pode depender de suas escolhas que a resolução completa das tensões existentes ocorra na geração atual ou somente na seguinte. Delas pode depender a determinação de qual das pessoas ou grupos em confronto , dentro de um sistema particular de tensões , se tornará o executor das transformações para as quais as tensões estão impelindo, e de que lado e em que lugar se localizarão os centros das novas formas de integração rumo às quais se deslocam as mais antigas , em virtude , sempre , de suas tensões. Mas as oportunidades entre as quais a pessoa assim se vê forçada a optar não são, em si mesmas , criadas por essa pessoa. São prescritas e limitadas pela estrutura específica de sua sociedade e pela natureza das funções que as pessoas exercem dentro dela. E, seja qual for a oportunidade que ela aproveite , seu ato se entremeará com os de outras pessoas; desencadeará outras sequências de ações, cuja direção e resultado provisório não dependerão desse indivíduo , mas da distribuição do poder e da estrutura das tensões em toda essa rede humana móvel.

Elias, Nobert. A Sociedade dos Indivíduos . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. P. 48.


A República Fardada




Apesar do golpe militar promovido em 1964 , os movimentos dos estudantes e dos trabalhadores continuaram atuantes e criaram uma situação de contestação aberta ao regime , até dezembro de 1968 , quando foi decretado o AI-5 , que cassou todos os direitos do cidadãos, inclusive o de manifestação. Esses movimentos foram então tirados da cena à força da violenta repressão colocada em prática pelos militares. Entretanto, surgiram os movimentos armados (rurais e urbanos) de contestação ao regime , pois essa foi a única alternativa encontrada por muitos grupos organizados para protestar. Os sequestros (que visavam trocar prisioneiros do regime pelo sequestrado) e os roubos a bancos (para sustentar as ações contra o regime ) foram as ações mais utilizadas nas cidades. No campo, foram montados movimentos de guerrilheiros que procuravam organizar a população para fazer frente ao regime militar - o mais conhecido é a Guerrilha do Araguaia , apoiada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A repressão aos movimentos armados ocorreu de modo extensivo e cruel. Após o governo de Ernesto Geisel , de acordo com o projeto dos militares de fazer um retorno à democracia de modo lento e gradual e sob vigilância , foram organizados grandes movimentos políticos pela democratização da sociedade: o movimento pela anistia , que resultou na assinatura da Lei de Anistia pelo presidente-general João Baptista Figuereido, em 1979; o movimento Diretas Já , entre 1983 e 1984 , pelas eleições diretas , que não foram aprovadas pelo Congresso Nacional, e o movimento pela Constituinte , entre 1985 e 1986 , que conseguiu a aprovação da instauração de uma Assembleia Constituinte a partir de 1986. Nessa fase também foram importantes outros movimentos , que se caracterizaram pela resistência ao regime e pelas propostas que permitiram um grande avanço democrático nos anos seguintes. Destacam-se , entre eles , os movimentos grevistas em São Paulo , principalmente no chamado ABCD (Santo André , São Bernardo , São Caetano e Diadema) , região que concentrava o maior parque industrial do Brasil e , portanto, o maior número de trabalhadores industriais. Eles questionavam não só as condições salariais e de trabalho , mas também a legislação que não permitia a livre organização dos trabalhadores e o direito de manifestação. Desses movimentos nasceram a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e , lodo depois , o Partido dos Trabalhadores (PT). No campo , desempenhou importante papel no questionamento da situação da terra no Brasil e no enfrentamento do regime militar o Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) . Organizado no Sul do país, a partir de 1979, com apoio de parte da Igreja Católica (Pastoral da Terra) , do PT e da CUT , o MST tinha como objetivo fundamental criticar a estrutura da propriedade da terra no Brasil (onde o latifúndio é dominante) e as condições de vida dos trabalhadores rurais. Suas ações foram mais marcantes no período seguinte. Além desses movimentos surgiram outros, como o Movimento contra o Custo de Vida (MCV) , criado em 1973 , em São Paulo , e ativo por vários anos. O MCV chegou ao fim com o Plano Cruzado (1986) , que reduziu por pouco tempo os preços dos alimentos.


Saint-simon e a Nova Ciência Dos Fenômenos Sociais



Claude-Henri de Rouvroy- Conde de Saint-Simon - , apesar de pertencer à nobreza , avaliava que o Antigo Regime estava corrompido e não podia durar muito mais. Durante a Revolução Francesa, renunciou ao título de conde e adotou o nome plebeu Claude Henri Bonhomme. Saint-Simon via a história como um sucessão de épocas críticas (momentos de crise) e épocas orgânicas (assentadas em crenças e valores bem estabelecidos). Defendia a ideia de que o apogeu de um sistema coincidia com o início de sua decadência e apontava três épocas orgânicas na história ocidental: a Antiguidade greco-romana, seguida pela época crítica das invasões bárbaras; a Idade Média , seguida pela época crítica do Renascimento até a Revolução Francesa , e a era industrial , que já se podia vislumbrar. Saint-Simon detectava a existência de duas grandes classes em sua época e na sociedade francesa em particular : a dos ociosos (a a realeza , a aristocracia e o clero, os militares e a burocracia que administrava a estrutura dos que nada produziam) e a dos produtores ou industriais (cientistas , engenheiros , médicos, banqueiros, comerciantes , industriais , artesãos , lavradores , trabalhadores braçais , enfim , todos os cidadãos úteis para o desenvolvimento da França). Para que a sociedade pós-revolucionária na França se firmasse seria necessário que a ciência tomasse o lugar da autoridade da Igreja , formando-se assim uma nova elite , agora científica. A ciência deveria substituir a religião como força de coesão. Os cientistas substituiriam os clérigos e os industriais , senhores feudais . A aliança dos cientistas com os industriais conformaria a nova classe dirigente. Mas deveriam estar na direção apenas os mais capazes em cada campo.  E seriam chamados por saber mais da sociedade: os cientistas porque a estudavam e os industriais porque , pela prática , sabiam o que funcionava melhor. Desde 1803 Saint-Simon escreveu uma série de livros em que professava sua confiança no futuro da ciência e buscava uma lei que guiasse a investigação dos fenômenos sociais, tal como a lei gravitacional de Newton em relação aos fenômenos naturais. A nova ciência teria como principal tarefa descobrir as leis do desenvolvimento social , pois elas poderiam indicar para a sociedade o caminho do progresso continuado. Entre seus escritos, destaca-se : Reorganização da Sociedade Europeia (com Augustin Thierry, 1814) , A Indústria ou Discussões Políticas , Morais e Filosóficas no interesse de todos os homens livres e trabalhadores úteis e independentes (1816-1817), O Organizador (1819), O Sistema Industrial (1821-1823), O Catecismo dos Industriais (1822-1824) e Novo Cristianismo (1824).  


Uma Revolução Comunista na Rússia



Enquanto os mexicanos conquistavam sua constituição,  em 1917, na Rússia , a sociedade fervilhava . A maior parte dos russos vivia em condições precárias e desde 1905 lutava e se preparava para construir uma nova sociedade. A Revolução Russa de 1917 começou com a derrubada do czar, em fevereiro , e culminou em outubro , com a tomada do poder pelos bolcheviques , liderados por Vladimir Ilitch Uliânov , o Lênin, e depois também por Leon Trotski. O movimentos teve como base os trabalhadores urbanos e soldados , organizados em sovietes - o fato mais inovador dessa revolução - . Conselhos populares que expressavam a proposta de uma nova sociedade que fosse democrática e se orientasse pela vontade da maioria. Após a tomada do poder , com a constituição de uma nova estrutural estatal , os sovietes perderam pouco a pouco o poder.  O termo, no entanto , ficou gravado no nome da unidade política e nacional formada em consequência da revolução: República Soviética . Posteriormente foram agregados ao bloco socialista outros países e formou-se a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No início , a nova república socialista precisava resolver vários problemas . Em 1918 , já no final da Primeira Guerra , teve de fazer um acordo de não agressão com a Alemanha . Nesse mesmo período , o Estado enfrentou a oposição de diversos setores , principalmente dos anarquistas , que queriam uma sociedade mais livre. Todos os focos de oposição foram eliminados.  Depois, entre 1919 e 1921, houve a luta contra os países europeus que não aceitavam a revolução (França , Alemanha e outros). Esses países enviaram tropas para apoiar os "russos brancos", que travavam uma guerra interna contra os "russos vermelhos" . Organizado e liderado por Trotski , o Exército Vermelho conseguiu derrotar os contrarrevolucionários e expulsar as tropas invasoras.  A situação , que era terrível por causa da Primeira Guerra MUNDIAL , tornou-se ainda pior no período de afirmação da revolução.  Mesmo assim, a propriedade privada foi extinta na União Soviética e procurou-se alterar a estrutura estátel e de serviços , como a educação , a saúde , os serviços ferroviários e bancários. A grande dificuldade foi mudar a estrutura da propriedade rural , que ainda era medieval , e a condição dos camponeses , precária em todos os sentidos. Assim, foi necessário primeiro privatizar a terra depois torná-la coletiva. Isso foi possível pela concentração do poder no Partido Comunista e no Estado. A partir de 1929, com a morte de Lênin , Joséf Stálin assumiu o comando da URSS e aprofundou a concentração do poder no Partido Comunista e no Estado, tornando-os quase a mesma coisa e eliminando a oposição. A parir de então, uma revolução que nascera com o propósito de transformar o sistema anterior e garantir a liberdade para todos gerou uma sociedade que teve parte dos problemas econômicos resolvidos, mas à custa da submissão a um Estado autoritário que oprimiu a maioria das pessoas. A União Soviética desmoronou na década de 1980 e teve seu fim assinalado pela queda do Muro de Berlim, em 1989. Deixou oficialmente de existir em dezembro de 1991.


Crise Do Café E Industrialização



Embora tenha passado por importantes períodos de crescimento como o da Primeira Guerra, a industrialização brasileira sofreu seu maior impulso a partir de 1929 , com a crise econômica mundial decorrente da quebra da Bolsa de Valores e Nova York. Na região Sudeste , essa crise se refletiu na produção do café. A partir de então , as atividades industriais passaram a apresentar índices de crescimento superiores aos das atividades agrícola , como fica evidente na observação do gráfico. Como a crise de 1929 reduziu bastante o volume de exportação do café , houve diversificação da produção da atividade cafeeira, embora a agricultura ainda continuasse responsável pela maior parte das exportações brasileiras até a década de 1970. Nesse período ocorreu a Revolução de 1930 , que desalojou a oligarquia agroexportadora paulista do poder e abriu novas possibilidades político-administrativas em favor da industrialização , uma vez que o grupo que tomou poder com Getúlio Vargas era nacionalista e favorável a tornar o Brasil um país industrial. O café , porém, permitiu a acumulação de capitais que serviram para implantar toda a infraestrutura necessária ao impulso da atividade industrial. Os barões do café, que residiam nos centros urbanos, sobretudo na cidade de São Paulo , para cuidar da comercialização da produção nos bancos e investir na bolsa de valores , eram detentores de enorme quantidade de capital no sistema financeiro , agora disponível para a implantação de indústrias. Todas as ferrovias , construídas com a finalidade principal de escoar a produção cafeeira para o Porto de Santos, interligavam-se na capital paulista e constituíam um eficiente sistema de transporte. havia também grande disponibilidade de mão de obra imigrante liberada dos cafezais ou já residente nas cidades , além de significativa produção de energia elétrica. é importante lembrar ainda que, com o colapso econômico mundial , diminuiu a entrada de mercadorias estrangeiras que poderiam competir com as nacionais. A associação desses fatores constituiu a semente do processo de industrialização , que passou a germinar notadamente na cidade de São Paulo onde havia maior disponibilidade de capitais, trabalhadores qualificados e a infraestrutura básica a que nos referimos. Áreas dos estados do Rio de Janeiro , Rio Grande do Sul e Minas Gerais também intensificaram seus processos de industrialização. Na instalação de novas indústrias predominava com raras exceções, o capital de origem nacional, acumulado nas atividades agroexportadoras. A maior parte das indústrias era de bens de consumo, com destaque para as de bens não duráveis, como as alimentícias e têxteis. A política industrial comandada pelo governo federal era a de substituir as importações , visando à obtenção de um superávit cada vez maior na balança comercial e no balanço de pagamentos , para permitir um aumento nos investimentos nos setores de energia e transporte. 


O Linkage



O nosso estudo de Genética foi dividido em duas partes. Na primeira , estudamos todos os casos em que os genes se segregam independentemente , conforme diz a segunda lei de Mendel. Assim, formam-se gametas com todas as combinações possíveis dos genes envolvidos. E esses gametas com recombinação gênica apresentam idênticas percentagens. Na segunda parte do nosso estudo, que começa agora , vamos ver os casos em que a segregação independente não ocorre , parecendo haver uma ligação fatorial entre genes não alelos. A segunda lei de Mendel diz que , na formação dos gametas , ocorre "segregação independente" , isto é , os genes se distribuem livremente , num perfeita análise combinatória , nos gametas . Hoje sabemos que esse fato só de dá entre genes situados em cromossomos não homólogos. Se os genes se encontram dispostos linearmente " num mesmo cromossomo" , a segregação independente não pode acontecer. Os cromossomos são mostrados na metáfase , já divididos em cromátides. Com a fragmentação dos centrômeros , as cromátides devem parar-se e vão constituir novos cromossomos. Na célula I , teremos 4 pares de cromossomos: (A e A) (a e a) (B e B) (b e b). Cada célula-filha receberá 1 cromossomo A ou a e 1 B ou b. Como essa distribuição (disjunção) é "independente" , existirão 4 possibilidades de combinação em idênticas proporções nos gametas. Já na célula II, após a separação das cromátides , evidenciam-se tão somente dois tipos de cromossomos: AB e ab , os quais irão para as células-filhas , dando 2 gametas iguais AB e 2 outros , iguais , ab. Nessa circunstância, não devem ser formados gametas "com recombinação gênica", como Ab e aB. Assim , o fenótipo de A estará sempre ligado ao fenótipo de B, bem como o fenótipo de a estará sempre vinculado ao fenótipo de b.  Nessa condição, dizemos que os caracteres determinados pelo par A (e seu alelo a ) e pelo par B ( e seu alelo b) estão "ligados" , "vinculados" ou linked. Portanto, os caracteres determinados por genes localizados no mesmo cromossomo mostram a tendência de se manterem unidos, qualificando a ligação fatorial, vinculação gênica ou linkage.  Entretanto , as pesquisas e a observação prática vieram mostrar que , mesmo nos casos de ligação fatorial, ocorre uma certa "taxa de recombinação" entre os genes linked. É bem verdade que, nesses casos, a frequência dos gametas com recombinação gênica é bem menor do que a dos gametas sem recombinação gênica.


Herança Ligada Ao Sexo



Os cromossomos X e Y possuem pequenas regiões homólogas (pseudoautossômicas) nas extremidades que se emparelham na meiose . Na parte não homóloga do X ( a maior) estão situados vários genes que controlam diversas funções no organismo , entre elas a produção de pigmentos nas células da retina , que possibilitam a visão de cores e a produção de uma proteína importante para a coagulação do sangue. Mutações nesses genes podem causar distúrbios, como o daltonismo (dificuldade de percepção de certas cores) e a hemofilia (dificuldade de coagulação do sangue). Os genes situados nessa região especial do cromossomo x são chamados de genes ligados ao cromossomo X. O tipo de herança no qual estão envolvidos é chamado de herança ligada ao sexo ou herança ligada ao cromossomo X. Os alelos desses genes podem aparecer em dose dupla nas mulheres; mas o homem (XY) só apresenta um deles. Por isso a mulher pode ser homozigótica e heterozigótica para esses alelos; o homem é caracterizado como hemizigótico. Assim, se ele possuir um alelo para um caráter recessivo ligado ao sexo (como o daltonismo e a hemofilia), esse caráter recessivo só se manifestará quando o alelo estiver em dose dupla. Essa situação acarreta a existência de um número maior de homens que de mulheres com caracteres recessivos ligados ao sexo. Para entender esse fato convém lembrar que a probabilidade de ocorrerem dois alelos no mesmo indivíduo é o produto das probabilidades desses alelos isoladamente.  Por exemplo, se a frequência de determinado alelo d é 10% , essa será a frequência de machos portadores da característica , representados por XdY (Os alelos exclusivos do cromossomo X são representados à direita e acima) . Para apresentar essa característica, uma fêmea deve ser XdXd : a probabilidade será 10% ) 10% = 1%.


A Reprodução Dos Seres Vivos



Até a metade do século passado, era comum a crença de que os seres vivos pudessem originar-se a partir da matéria bruta, inanimada , existente no meio. Nisso se baseava a antiga concepção da geração espontânea. Os conhecimentos  modernos de Biologia vieram mostrar que , nas condições atuais do mundo, todo ser vivo provém de outro ser vivo , por um processo mais simples ou mais complicado de reprodução, mas nunca por geração espontânea. A reprodução é um fenômeno presente em todos os tipos de seres , sejam eles animais, plantas , bactérias ou vírus. Nem sempre a reprodução exige a participação conjunta de dois indivíduos de sexos diferentes. Nós veremos casos em que um indivíduo isolado (uma fêmea) pode ter crias. Também veremos que, para haver reprodução , mas nunca por geração espontânea. A reprodução é um fenômeno presente em todos os tipos de seres , sejam eles animais , plantas , bactérias ou vírus. Nem sempre a reprodução exige a participação conjunta  de  dois indivíduos isolado (uma fêmea) pode ter crias. Também veremos que, para haver reprodução sexuada entre um macho e uma fêmea , não há necessariamente a obrigação de haver um ato sexual ou cópula. As plantas reproduzem-se sexuadamente e, entre elas , não há nenhuma realização de coito. Os anfíbios , como os sapos , realizam um encontro que não passa de um aparente ato sexual, pois , na realidade , espermatozoides e óvulos são lançados na água. E nela ocorre a fecundação. Existem ainda, outros e seres que requer produzem espermatozoides ou óvulos. Eles não se reproduzem a partir de células especializadas para a reprodução , mas graças à simples fragmentação dos seus corpos. Estes seres nem precisam de  órgãos sexuais, como  é o caso da ameba. Já com mais complexidade , existem seres que possuem num único corpo os órgãos reprodutores de ambos ou sexos. Eles são chamados hermafroditas. E muitos deles podem fecundar-se a si mesmos (autofecundação) , originando descendentes. É o que ocorre , por ocorre, por exemplo , com as tênias ou solitárias. Como você vê , o fenômeno da reprodução é muito variável nas suas formas de ocorrência. Muitas vezes , você vai observar que um mesmo grupo de organismos pode realizar diferentes modalidades de reprodução , conforme circunstâncias especiais do ambiente ou da sua própria condição interna. O fenômeno da reprodução abre caminho para comentários sem fim . Alguns deles são capazes de nos levar a conjecturas muito atraentes . Veja , por exemplo, que numa simples ejaculação de um homem normal, são eliminados de 200 milhões a 300 milhões de espermatozoides. Se cada uma dessas células pudesse originar uma nova criatura , um homem estaria apto a povoar toda a América do Sul com um única ejaculação. E, durante toda a sua vida , ele poderia povoar grande parte de uma galáxia. No entanto , cada homem , no mundo moderno, não tem mais que alguns poucos descendentes. Admitindo-se que a população humana mundial tenha cerca de três bilhões de pessoas , e que cada uma delas tenha surgido a partir de um espermatozoide , poder-se-ia, então calcular que todos os espermatozoides que originaram a atual população mundial (tendo em vista a pequeníssima dimensão do gameta masculino) caberiam no modesto espaço de uma pílula.  Outra conjectura interessante revela que o corpo de um homem adulto tem um peso 50 bilhões de vezes maior do que o peso do pequeno zigoto que o originou . O zigoto , você se lembra , é a primeira célula resultante da união de um espermatozoide com um óvulo. E essa célula se reproduz tantas vezes , que aos poucos , o organismo se diferencia , surge , nasce e cresce. Mas tudo isso acontece dentro de uma incrível programação genética contida inicialmente nos minúsculos núcleos dos gametas. Quase tudo o que acontece na intimidade de um organismo já estava planejado (como uma programação de computador) através de genes muito especiais. Veja bem : se os alimentos são mais ou menos os mesmos para todos os tipos de indivíduos , e os fenômenos nutritivos apresentam impressionante semelhança entre todos os seres , como explicar que, a partir dos mesmos protídios , glicídios , lipídios , sais e vitaminas , cada organismo se desenvolva , formando suas próprias substâncias , tanto no sentido específico quanto individual ? Podemos constatar este fato observando que do mesmo solo e , portanto, das mesmas fontes nutritivas , diferentes plantas formam seus frutos com sabores diversos , como o lião , o jiló , a banana , ou produzem flores das mais variadas formas , dimensões , cores e perfumes. Toda a "programação" de cada organismo está contida no núcleo das suas células , sede dos fatores de ligação entre o indivíduo e a sua descendência.  A Reprodução e Genética são dois capítulos indissociáveis da Biologia . Estão sempre de mãos dadas.


Diversificação da Disciplina



Se no período anterior as bases da Sociologia estavam dadas , mesmo com a presença de uma ditadura militar no Brasil a partir de 1964, a disciplina começou a expandir-se principalmente nos grandes centros urbanos e passou a relacionar-se com outros campos das ciências humanas. As discussões sobre o processo de industrialização crescente e a chamada "modernização" do Brasil foram o centro das atenções. A discussão sobre o desenvolvimento tinha relação com os estudos dos economistas. A questão educacional também esteve presente , pois , de alguma forma , todas as questões sociais estavam vinculadas à precariedade da educação nacional. Aqui a relação era com os pedagogos.  Principalmente depois do golpe militar de 1964 , foram muito discutidos temas relacionados ao autoritarismo e ao planejamento , fazendo interface com a ciência política. Outras discussões e polêmicas estavam presentes : trabalho, formação da classe trabalhadora, sindicalismo, urbanização, transformações no campo , marginalidade social, dependência econômica , entre outras. Espelham essas preocupações a grande quantidade de livros publicados e, no interior das universidades, o interesse por disciplinas como Sociologia do desenvolvimento, Sociologia urbana , Sociologia rural, Sociologia Industrial e do trabalho, Sociologia do planejamento e Sociologia da educação e da juventude.  A partir da década de 1980 , expandiram-se os cursos de pós-graduação (Mestrado e Doutorado) em Ciências Sociais e em Sociologia em todo o território nacional , elevando o nível , em número e qualidade , das pesquisas e do ensino de Sociologia. A presença da Sociologia no ensino superior e de pós-graduação consolidou-se no Brasil pelas mais variadas abordagens e com uma multiplicidade de temas , surgindo assim muitas "sociologias" especiais: do desenvolvimento , o trabalho , do conhecimento , da arte , da educação , urbana , rural , da saúde , da família , etc. As preocupações e temáticas anteriores continuam presentes , mas outras passaram a ser foco de interesse de muitos estudiosos , até com a realização de encontros e congressos específicos , como violência , gênero , religião, juventude , comunicação e indústria cultural. Muitos foram os intelectuais que, em diferentes áreas do pensamento sociológico , desenvolveram pesquisas e ensino. Entre outros , além dos já mencionados , relacionamos alguns dos que , a partir das décadas de 1960-1970, tiveram suas obras lidas e reconhecidas no Brasil e também no exterior : Octávio Ianni (1926-2004) , Fernando Henrique Cardoso (1931) , Leôncio Martins Rodrigues (1934), Heleieth Saffioti (1934) , Marialice Mencarini Foracchi (1929-1972) , Elide Rugai Bastos , Francisco de Oliveira (1933) , Luiz Eduardo Waldemarin Wanderley (1935) , José de Souza Martins (1938) , Gabriel Cohn (1938) , Luiz Werneck Vianna (1938) , Simon Schwartzman (1939) e Maurício Tragtenberg (1929-1998) . Uma nova geração de sociólogos encontra-se hoje nas diversas universidades brasileiras. Entre outros , podem ser citados : Sérgio Miceli (1945) , José Vicente Tavares dos Santos (1949) , Renato Ortiz (1947) , Gláucia Kruse Villas Bôas (1947) , Ricardo Antunes (1953), Elisa Reis (1946) , Brasílio Sallum Júnior (1946) e Laymert Garcia dos Santos (1948).


Émile Durkheim



Se Para Karl Marx o Estado é , portanto, uma organização cujos interesses são os da classe dominante na sociedade capitalista: a burguesia. Para Émile Durkheim - Ao Analisar a questão da política e do Estado , o mesmo teve como referência fundamental a sociedade francesa de seu tempo. Como sempre esteve preocupado com a coesão social, inseriu-a de forma clara na questão. Para ele , o Estado é fundamental numa sociedade que fica cada dia maior e mais complexa , devendo estar acima das organizações comunitárias. Durkheim dizia que o Estado "concentrava e expressava a vida social". Sua função seria eminentemente moral, pois ele deveria realizar e organizar o ideário do indivíduo e assegurar-lhe pleno desenvolvimento. E isso se faria por meio da educação pública voltada para uma formação moral sem fins conceituais ou religiosos . De acordo com o filósofo , o Estado não é antagônico ao indivíduo. Foi o Estado que emancipou o indivíduo do controle despótico e imediato dos grupos secundários , como a família , a Igreja e as corporações profissionais, dando-lhe um espaço mais amplo para o desenvolvimento de sua liberdade. Para Durkheim , na relação entre o Estado e os indivíduos , é importante saber como os governantes se comunicam com os cidadãos , para que estes acompanhem as ações do governo. A intermediação deve ser feita por canais como os jornais e a educação cívica ou pelos órgãos secundários que estabelecem a ponte entre governantes e governados , principalmente os grupos profissionais organizados , que são a base da representação política e da organização social. Quando se refere aos sistemas eleitorais, Durkheim critica os aspectos numéricos do que se entende por democracia. Tomando como exemplo as eleições de 1893 na França , declara que havia no país , naquele ano , 38 milhões de habitantes . Tirando as mulheres , as crianças , os adolescentes , todos os que eram impedidos de votar por alguma razão , apenas 10 milhões eram eleitores. Desses 10 milhões, foram votar em torno de 7 milhões. Os deputados eleitos , ou seja, os vencedores das eleições , somaram 4 592 000 de votos e os que não venceram tiveram 5 930 000 de votos , número superior ao dos vencedores. Conclui Durkheim : " [,..] se nos ativermos às considerações numéricas, será preciso dizer que nunca houve democracia". Para Durkheim, portanto, o Estado é uma organização com um conteúdo inerente , ou seja, os interesses coletivos.


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