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O Congresso De Viena E A Restauração


Diante das grandes mudanças ocasionadas pela difusão dos ideais da Revolução Francesa, com a expansão napoleônica, as monarquias tradicionais se uniram para conter a onda de transformações que se alastrava. Com a derrota de Napoleão , representantes dos maiores Estados europeus reuniram-se no Congresso de Viena para traçar uma estratégia de reconstrução política da Europa. Tomando como base o princípio da legitimidade , calçado na tradição, optou-se pela restauração das dinastia europeias afastadas pela expansão da Revolução Francesa. Desse modo, o Antigo Regime foi, em parte, preservado na Europa Central e na Oriental. Na França, as intensas modificações trazidas pela revolução fizeram com que o governo restaurado,   Bourbons  , na figura de Luís XVIII, se estabelecesse como uma monarquia constitucional, em que as instituições representativas , como a câmara eletiva , e o fim da servidão é dos privilégios- conquistas revolucionárias- fossem mantidos. Na prática, as decisões do Congresso de Viena, sob a liderança das principais nações coligadas - Prússia, Rússia, Áustria e Inglaterra - , alteraram significativamente o mapa político europeu. A França teve de restituir a maioria dos territórios obtidos com a conquista napoleônica , ficando sob ocupação durante cinco anos, até que uma pesada indenização aos vencedores fosse quitada. A Prússia, a Rússia e a Áustria ampliaram sua territórios , reduzindo as divisões políticas na Europa, sobretudo na Alemanha e na Itália , e ascendendo como grandes potências. Na Espanha e em Portugal , foram restauradas as dinastias Bourbon e Bavança, respectivamente. A Inglaterra foi bastante beneficiada pelas decisões do Congresso , com o estabelecimento da livre navegação dos mares e rios e a garantia de suas novas bases navais no Sul da África, no Mediterrâneo (Ilhas Jônicas e Malta) e no Ceilão . Para garantir as disposições do acordo de paz e reprimir novos movimentos revolucionários , em 1815, decidiu-se pela assistência mútua entre os soberanos de direito divino. Um pacto diplomático supranacional conhecido como Santa Aliança foi assinado pelas principais monarquias da nova ordem europeia, com exceção da Inglaterra. Entretanto, o objetivo de impelir as guerras e revoluções e, com isso, instalar uma paz duradoura foi apenas parcialmente alcançado . No plano da política externa, garantiu-se relativa estabilidade. De 1815 e 1914, houve poucas e localizadas guerras na Europa, nenhuma envolvendo mais dois grandes Estados. Na situação interna dos reinos e nações, porém, a restauração foi parcial e o compromisso político revelou-se instável. Logo , as oposições aos "novos velhos regimes" se insurgiram contra eles.


Entrevista Com Stálin


Em outubro de 1934 o escritor H.G, Wells entrevistou em Moscou Joseph Stálin. À certa altura Wells disse: "[...] A visita aos Estados Unidos me perturbou. Lá , o velho mundo financeiro está entrando em colapso; a vida econômica do país está sendo reorganizada sobre novas diretrizes. Disse Lênin : ' Nós temos que aprender a fazer negócios", aprender com os capitalistas. Hoje, os capitalistas têm que aprender com o senhor , entender o espírito do socialismo. Parece-me que o que está ocorrendo nos Estados Unidos é uma profunda reorganização, isto é , a criação de uma economia socialista planejada . O senhor e Roosevelt começa de dois pontos de partida diferentes.  Mas não existe um relação entre as idéias e as necessidades de Washington e Moscou? Em Washington, tive a mesma sensação que tenho aqui; eles estão construindo novos prédios , criando uma série de novos órgãos de regulamentação do Estado, organizando um serviço público necessário há muito tempo. A necessidade deles , assim como a da URSS, é a eficiência do governo. Stálin - Os Estados Unidos têm uma meta diferente da nossa. O objetivo dos americanos surgiu a partir dos problemas econômicos , da crise econômica. Os americanos querem se livrar da crise através da atividade capitalista privada sem mudanças nas bases da economia. Eles estão tentando reduzir ao mínimo os estragos , as perdas causadas pelo sistema econômico existente. Aqui, entretanto , como o senhor sabe, no lugar das velhas bases econômicas destruídas , foram criadas novas bases econômicas completamente diferentes. Mesmo que os americanos que o senhor mencionou consigam atingir , em parte, a meta deles, isto é , reduzir essas perdas ao mínimo , eles não irão destruir as raízes da anarquia herdada do sistema capitalista existente . [...] É por isso que , objetivamente , não haverá nenhuma reorganização da sociedade. Também não haverá economia planejada. O que é a economia planejada? Quais são as suas características? A economia planejada tenta acabar com o desemprego . Vamos supor que seja possível reduzir o desemprego ao mínimo e, ao mesmo tempo, preservar o sistema capitalista. Mesmo assim, com certeza , nenhum capitalista concordaria em acabar completamente com o desemprego , acabar com o exército de desempregados que tem como propósito exercer pressão sobre o mercado de trabalho, assegurando uma oferta de mão-de-obra barata. [...]"

-ALTMAN, Fábio (org). A Arte da entrevista . São Paulo: Scritta, 1995. P. 128-129.


Da Produção Artesanal à Produção Em Série


Durante o Período Medieval , a produção artesanal concentrava-se especialmente nas cidades fortificadas , onde era controlada por corporações de ofício . Nestas, mestres independentes, com o apoio de alguns aprendizes, especializavam-se na confecção de determinados produtos. Elas mantinham uma hierarquia entre aprendizes e mestres e funcionavam também como uma associação de apoio mútuo , ao mesmo tempo que evitavam a concorrência. Produzindo para um mercado e relativamente estável, os métodos de produção eram rigidamente fixados e as tentativas de mudanças recebiam punições severas , como a exclusão da corporação e a consequente proibição de se exercer o ofício. Essa situação começou a mudar com a implementação da política mercantilista , colocada em prática por monarcas de países como a França e a Inglaterra. Com a unificação do mercado interno, novas formas de produção foram incentivadas. A expansão marítima e o comércio colonial fizeram com que alguns comerciantes passassem a investir também na produção.  Assim, surgiu o sistema doméstico - conhecido como "putting-out system" , na Inglaterra , e Verlag , na Alemanha - , no qual o comerciante contratava o trabalho artesanal junto a famílias de camponeses. Especialmente na Inglaterra , a redução das posses e dos rendimentos da terra fazia os camponeses aceitarem o trabalho em domicílio como uma boa fonte de renda . Assim, desde o século XVII , uma parte da população rural trabalhava - principalmente no inverno , quando a atividade agrícola era menor - sob contrato com algum comerciante. Este fornecia a matéria-prima e algumas máquinas , pagando um salário pela tarefa executada. Outro processo produtivo se desenvolveu concomitantemente . Entre o final do século XVI e o século XVIII , o rompimento das regras corporativas para suprir as demandas do comércio externo abriu caminho para a mudança dos métodos produtivos .  Assim, aos poucos , alguns mestres-artesãos abandonaram as corporações e as cidades e investiram no agrupamento de diversos artesão em uma mesma oficina, dando origem às grandes manufaturas . Controlando a produção e, ao mesmo tempo, negociando a venda do produto final ou saindo em busca de fregueses , o novo "fabricante-mercador" foi uma figura proeminente em um período de ascensão da burguesia. As manufaturas reuniam diversos indivíduos , os quais produziam ao mesmo tempo. O trabalho do artesão era decomposto em várias sub-tarefas . Os trabalhadores , individualmente ou em grupos , especializavam-se em uma parte da produção. No final do século XVIII, EM SEU LIVRO "A Riqueza Das Nações", o escocês Adam Smith (1723-1790) , descrevendo uma pequena manufatura de alfinetes , fez apologia à divisão técnica do trabalho, presente nessa organização.  Dessa maneira , a divisão do trabalho se transformou em uma excelente solução para a produtividade , ampliando a quantidade de mercadorias produzidas e economizando tempo. A reunião de trabalhadores em um [...] Esse processo foi acelerado pela introdução massiva das máquinas na Inglaterra , no final do século XVIII, dando origem às maquinofaturas ou fábricas modernas. A utilização das máquinas no processo produtivo ocorreu lentamente entre os ingleses. Os artesãos já usavam pequenas máquinas movidas à força humana. A partir de algumas invenções , a produtividade deu um salto . Com um das primeiras máquinas modernas , que se chamava "Jenny" e era utilizada no sistema doméstico, uma pessoa sozinha dava conta do trabalho de 12 fiandeiras. Contudo, máquinas maiores , usadas na fiação, já não se prestavam à utilização doméstica e impulsionavam , ainda mais , a concentração de trabalhadores.  Com isso, a indústria do algodão foi uma das primeiras a adotar o sistema de fábrica e a mecanização. Cada ramo que se mecanizava forçava os outros a utilizar novas máquinas para acompanhar o ritmo da produção. Aos poucos , outras fontes de energia se fizeram presentes. O uso dos teares a vapor , por exemplo, multiplicou-se na Inglaterra , em 1823, havia 2,3 mil teares em atividade e , em 1850, 224 mil. A vocação das novas indústrias se voltava para produtos de consumo de massa , com foco no mercado externo. Os domínios coloniais davam à produção inglesa a capacidade de gerar seu próprio consumo. Por volta de 1840 , o continente europeu consumiu cerca de 190 milhões de metros de tecidos de algodão britânicos ; já a Ásia , a América (Exceto os Estados Unidos) e a África , juntas , adquiriram 500 milhões. As maquinarias e fábricas exigiam certo investimento e comportavam algum risco. 


Comércio Exterior , Dívida Externa e Questões Ambientais


As relações econômicas internacionais representam um problema particular para os países os setores que tentam administrar seu meio ambiente , porque a exportação de recursos naturais continua sendo fator de peso em suas economias , sobretudo no caso dos menos desenvolvidos . A instabilidade e as tendências de preços adversos enfrentadas pela maioria dessas nações impossibilitam-lhes administrar suas bases de recursos naturais com vistas a uma produção constante. O ônus cada vez maior do serviço da dívida e a diminuição de novos fluxos de capital intensificam as forças que levam à deterioração do meio ambiente e ao esgotamento dos recursos , em prejuízo do desenvolvimento em longo. O comércio internacional de madeiras tropicais, por exemplo, é um dos fatores do desflorestamento dos tróficos. A necessidade de obter divisas faz com que muitos países em desenvolvimento cortem madeira a uma ritmo mais acelerado que o da regeneração das florestas. (...) O modo como se processa o comércio internacional pode também estimular políticas e práticas desenvolvimentistas inviáveis , como as que vêm deteriorando cada vez mais as terras de cultivo e as pastagens naturais nas regiões áridas [e semi-áridas] da Ásia e da África. É o que ocorre , por exemplo, na região do Sahel , devido ao crescimento da produção algodoeira para exportação."

(Comissão sobre meio ambiente e desenvolvimento. Nosso futuro Comum . Rio de Janeiro, Editora da FGV - Instituto de Documentação, 1988, p. 72 e 73.)


O Choque Entre Culturas E O Etnocentrismo



Do encontro de uma cultura com outra decorre, de modo geral, a avaliação recíproca , ou seja, traz o julgamento do valor da cultura do "outro". Normalmente esse julgamento é feito a partir da cultura do eu". Assim, a análise da outra cultura tende a considerar a sua própria  como a ideal, a perfeita , a mais avançada. Passa-se , então, a desprezar os valores , o conhecimento , a arte , as desprezar os valores , o conhecimento , a arte , as formas de comunicação, as técnicas , enfim , a cultura do "outro", e até mesmo os atributos físicos "outro", como cor de pele , altura , tipo de cabelo etc. Com isso , estão lançadas as bases para o etnocentrismo , ou seja, os outros são julgados baseados em nossos valores e modelo de vida. Não conseguimos entender as diferenças culturais existentes em relação  a um outro grupo étnico, o que pode provocar sentimento de medo e de hostilidade. Em casos extremos de etnocentrismo , cultiva-se a ideia de que o povo do qual se faz parte , aliado à sua  cultura particular , é superior aos "outros". O etnocentrismo remonta aos primórdios da história e foi um elemento básico do processo de identificação de um grupo sócio-cultural . É um traço natural de todas as culturas e corresponde a uma forma de legitimação de determinada realidade, a qual é construída socialmente. No entanto, o etnocentrismo transforma-se em problema quando utilizado para oprimir uma outra comunidade étnica ou para conquistar povos e territórios.


O New Deal


O período subsequente à crise de 1929, conhecido como a Depressão dos Anos 30 , obrigou os países a reorganizarem suas políticas econômicas. Como a superprodução havia sido a principal razão da crise, os países industrializados tomaram duas medidas básicas para revolver o problema. Uma delas foi a participação mais efetiva do Estado no planejamento das atividades econômicas , tendo em vista , entre outros objetivos , a adequação entre a quantidade de mercadorias produzidas e o tamanho do mercado. A outra medida apoiou-se na necessidade de uma melhor distribuição da renda, com o objetivo de ampliar o mercado de consumo. Acreditava-se que era necessária melhorar as condições financeiras dos trabalhadores, a fim de que eles pudessem adquiridos mais produtos e mais variados. Partindo dessas duas iniciativas básicas, os Estados Unidos conseguiram contornar os efeitos da crise com maior eficiência e num prazo mais curto de tempo. Com a criação de um amplo programa de obras públicas, o governo do presidente Franklin Roosevelt ( de 1933 a 1945) conseguiu aos poucos amenizar o desemprego e manter a economia relativamente aquecida. O NEW DEAL (Novo Acordo) , como ficou conhecido o programa de recuperação econômica implantado por Roosevelt, era inspirado nas teorias do economista John Maynard Keynes (1883-1946) . Para Keynes , o Estado não deveria se militar apenas a regular as questões de ordem socioeconômica e política , mas também devia ser uma planejador , que dava as diretrizes , fixava as metas , estimulava este ou aquele setor da economia de acordo com a conjuntura dentre cada momento. Keynes não acreditava na auto-regulação do mercado , pois a Crise de 1929 tinha mostrado o contrário. As idéias de Keynes , colocadas em prática nos Estados Unidos, foram seguidas por alguns países europeus que, no final da década de 1930, já haviam retomado o desenvolvimento. Mas, em 1930 , eclodiu a Segunda Guerra Mundial, que arrasou novamente com a economia desse continente.


Os Desafios À Democracia


[...] Os desafios que são postos à democracia no nosso tempo são os seguintes. Primeiro, se continuarem a aumentar as desigualdades sociais entre ricos e pobres ao ritmo das três últimas décadas , em breve, a igualdade jurídico-política entre os cidadãos deixará de ser um ideal republicano para se tornar uma hipocrisia social constitucionalizada. Segundo, a democracia atual não está preparada para reconhecer a diversidade cultural , para lutar, eficazmente contra o racismo , o colonialismo , o sexismo  e as discriminações em que eles se traduzem . [...] Terceiro, as imposições econômicas e militares dos países dominantes são cada vez mais drásticas e menos democráticas. Assim sucede , em particular , quando vitórias eleitorais legítimas são transformadas pelo chefe da diplomacia norte-americana em ameaças à democracia , sejam elas as vitórias do Hamas [na Palestina], de Hugo Chávez [na Venezuela] ou de Evo Morales [na Bolívia]. Finalmente , o quarto desafios diz respeito às condições da participação democrática dos cidadãos. São três as principais condições : ser garantida a sobrevivência : quem não tem com que alimentar-se e à sua família tem prioridades mais altas que votar; não estar ameaçado: quem vive ameaçado pela violência no espaço público, na empresa ou em casa , não é livre , qualquer que seja o regime público em que vive ; estar informado : quem não dispõe da informação necessária a uma participação esclarecida , equivoca-se quer quando participa , que quando não participa. Pode dizer-se com segurança que a promoção da democracia não ocorreu de par com a promoção das condição de participação democrática. 

-Sousa Santos , Boaventura de. O futuro da democracia. Visão. Paço de Arcos: Edimpresa , 31 AGO. 2006 . Disponível em <www.ces.uc.pt/opiniao/bss/164.php>. Acesso em : 7 mar. 2007.


A Grande Crise do Capitalismo


Como vimos , na segunda metade do século XIX, o sistema capitalista ampliou a produção numa proporção muitas vezes  maior que a capacidade do mercado de consumo existente nos países industrializados. A busca de novos mercados e fontes de matérias-primas tornou-se indispensável à sustentação dessa nova etapa produtiva . Ingleses , alemães , franceses , belgas , norte-americanos e japoneses impuseram sua força industrial, submetendo vários países do mundo a um controle imperial nunca antes visto. Os investimentos nessa nova etapa de produção industrial e a extensão do mercado internacional de serem realizados por um único empresário. Para viabilizar os novos investimentos foram criadas as Sociedades por Ações (S/A) . Consolidaram-se os mercados de capitais onde todos podem investir numa empresa através da compra de ações. Com a venda de ações , as empresas conseguiram ampliar a sua capacidade financeira e , consequentemente, tornaram-se mais fortes , competitivas e elevaram a sua capacidade de produção. No início do século XX, a Bolsa de Valores de Nova York era o principal centro de investimento internacional. O volume de negócios ali realizados diariamente dava a impressão de que nada mais poderia deter o ritmo desenfreado do desenvolvimento capitalista. Mas o capital investido na produção não foi acompanhado pelo crescimento do mercado de consumo. Esse descompasso entre uma superprodução desordenada e a ausência de consumidores com capacidade para absorvê-la ocasionou a grande Crise de 1929 . As fábricas , não tendo praticamente como vender suas mercadorias, reduziram drasticamente suas atividades; a produção agrícola , também excessiva , não encontrava compradores e o comércio tornou-se inviável. Nesse contexto , houve um processo de falência generalizada, muitos trabalhadores perderam seus empregos  retraindo totalmente o mercado de consumo. Aqueles que viviam exclusivamente dos investimentos do mercado de capitais , particularmente da compra e venda de ações , viram o valor de seus títulos despencar, transformando-se em papéis sem valor. A crise iniciada em Nova York , nos Estados Unidos, afetou rapidamente o mundo todo. Os países produtores de matérias-primas e alimentos , que dependiam economicamente das exportações para os países industrializados, não encontravam compradores para seus produtos e entraram em colapso. O Brasil , nesse período , que dependia basicamente da exportação de café, foi profundamente abalado pelos efeitos mundiais da crise.


Temperatura , Cinética Química e Seres Vivos


Todo ser vivo depende de muitas reações químicas que ocorrem dentro de seu organismo. O conjunto dessas reações químicas é chamado de metabolismo. A velocidade de tais reações depende da temperatura do organismo; quanto maior a temperatura , maior a velocidade das reações. O ser humano tem uma temperatura que permanece, em geral, constante ao redor de 37¤C. O aumento da temperatura , denominado hipotermia , faz o nosso metabolismo se acelerar. É o que acontece quando temos febre: nosso corpo trabalha em ritmo acelerado e, graças a isso, consome mais oxigênio e mais glicose. A febre é um mecanismo de defesa; permite matar vírus e bactérias mais rápido porque mobiliza o sistema de defesa natural do organismo. Contudo, temperatura corporal que se mantenha acima de 41,7¤C pode causar a morte porque acelera demais algumas reações que destroem substâncias vitais , chamadas enzimas.  Quando a temperatura corporal decresce, o consumo de glicose e oxigênio diminui graças à diminuição da velocidade das reações químicas do metabolismo. A redução da temperatura normal do nosso organismo caracteriza a situação de hipotermia. Ela pode acontecer , por exemplo, com pessoas que permanecem em mares frios depois de naufrágios ou queda de aeronaves. Temperaturas corporais prolongadas inferiores a 30¤C são fatais. Reduzem tanto o metabolismo que as reações vitais passam a ter velocidade insuficiente para manter a pessoa viva. O uso controlado da hipotermia pode, contudo, ser utilizado em Medicina. Em certas cirurgias cardíacas ou cerebrais, o paciente anestesiado é resfriado a cerca de 30¤ C, por contato com gelo . Isso reduz o consumo de oxigênio do coração ou do cérebro e reduz a chance de danos causados pela falta de circulação sanguínea, inevitável em alguns procedimentos cirúrgicos. Aqueles animais que , ao contrário dos humanos, não mantêm sua temperatura constante (por exemplo, os répteis e os anfíbios) possuem um metabolismo extremamente sensível à temperatura ambiente. Em tais animais, a velocidade das reações metabólicas aumenta durante o dia e diminui à noite, de acordo com a variação de temperatura do ambiente.  Graças a isso, eles precisam comer mais nos dias quentes de verão do que nos dias mais frios do inverno. Nas regiões mais distantes do equador e dos trópicos , onde os invernos são rigorosos , muitos desses animais costumam hibernar, ou seja , reduzir a velocidade  de seu metabolismo ao mínimo, entrando num "sono profundo" e só acordando na primavera , quando a temperatura ambiente volta a subir.


O Que As Mitocôndrias Podem Informar Sobre A Evolução Humana?


Na década de 1980 , a análise de dados genéticos passou a fazer parte das investigações científicas a respeito da origem dos humanos modernos. Uma ferramenta importante é a análise do DNA mitocondrial. Como vimos anteriormente , nem todo o material genético de uma célula encontra-se no núcleo. Nos seres humanos, além do genoma contido nos 23 pares de cromossomos, existe o DNA mitocondrial , que é circular e contém 37 genes , cada mitocôndria contém diversas cópias dessa molécula. A herança do DnA mitocondrial difere dos padrões de herança do DNA nuclear , pois as organelas citoplasmáticas de um zigoto - incluindo as mitocôndrias - vêm apenas do gameta feminino. Os espermatozoides contribuem na formação do zigoto apenas com o centríolo e o conjunto haploide de cromossomos nucleares provenientes do pai. Apesar de mitocôndrias do espermatozoide entrarem no ovócito no momento da fecundação, elas logo degeneram. A herança do citoplasma, portanto, é transmitida basicamente pela mãe para a descendência. O DNA mitocondrial tornou-se uma ferramenta útil para interpretar eventos evolutivos recentes por dois motivos básicos:

-ele apresenta uma taxa de mutação elevada; as mutações são a fonte primária de variedade entre as moléculas. A comparação entre moléculas homólogas pode informar o tempo de divergência entre elas a partir de uma condição ancestral ; quanto maior o número de diferenças , maior o intervalo de tempo. No DNA nuclear , com uma quantidade de nucleotídeos muito maior e uma taxa de mutação menor , essas diferenças são mais difíceis de ser analisadas; -Não há recombinação entre genes maternos e paternos no DNA mitocondrial , pois a mitocôndria é herdada apenas da mãe. Isso facilita a interpretação dos dados , pois a variabilidade no DNA mitocondrial de uma população pode ser considerada como resultado do acúmulo de mutações gênicas, e não de recombinação. A análise de DNA mitocondrial em populações humanas revelou que a variação nesse DNA em humanos atuais é muito pequena. Uma explicação para este fato é que os seres humanos originaram-se recentemente na escala do tempo geológico, o que é corroborado pelo registro fóssil. Outra observação importante foi que os africanos apresentam, dentre as populações humanas atuais , a maior variabilidade no DNA mitocondrial, o que pode indicar que se trata da população mais antiga. Esse dado também sustentaria a hipótese mais aceita atualmente de que os hominídeos surgiram na África.   No entanto , existem outras interpretações possíveis para esses dados moleculares , como a de que a variabilidade do DNA mitocondrial em populações africanas resulte apenas do fato de serem descendentes de populações mais numerosas. Os dados moleculares certamente constituem uma ferramenta importante , mas sua interpretação não é fácil e ainda existem muitas controvérsias no meio científico em relação às hipóteses sobre a origem do Homo sapiens.


As Castas no Japão


A desigualdade com base nas castas não é uma coisa do passado no Japão, apesar de toda a modernização e da presença de alta tecnologia. Oficializadas durante o período Edo (1600-1868), as castas foram abolidas em 1871. A casta de maior importância era a dos samurais, seguida , em ordem decrescente , pela dos agricultores , pela dos artesãos e pela dos comerciantes. Havia ainda os párias (desclassificados) - entre eles , os hinins , aqueles que eram considerados "não gente", como mendigos , coveiros , mulheres adúlteras e suicidas fracassados , e os burakumins, pessoas encarregadas de matar , limpar e preparar os animais para o consumo. A classificação social dos burakumins tinha motivos religiosos. Um desses motivos provém do xintoísmo , que relaciona morte a sujeira , e o outro provém do budismo , que considera indigna a matança de animais. Na soma das duas crenças , quem tivesse o ofício de trabalhar com couro ou carne de animais mortos deveria ser isolado e condenado a uma situação subalterna. Os descendentes dos birakumins , cerca de 3 milhões de pessoas , ainda vivem segregados e dificilmente conseguem empregos que não sejam de lixeiros, limpadores de esgotos ou de ruas. Quando revelam suas ascendência , a vida deles é sempre investigada, seja no ato de pedir emprego, seja nas tentativas de se casar. O governo japonês criou programas voltados para combater essa discriminação, entretanto, isso não se resolve por decreto, pois as questões culturais são mais fortes que os decretos governamentais. Há também , desde 1922, associações de burakumins , que procuram lutar contra a segregação, que , de maneira generalizada, está tanto no interior das pequenas volas quanto nas grandes empresas. Este texto aponta a permanência de aspectos relacionado ao sistema de castas e de estamentos na sociedade contemporânea. Existem diversas outras situações nas quais se observa alguma característica dessas formas de desigualdade no mundo atual. Como você explica a permanência desses tipos de desigualdade?


As Lutas na África



Na África , foi grande a resistência das potências imperialistas. As riquezas minerais fizeram com que muitos países consentissem a autonomia política de suas antigas colônias, enquanto mantinham vínculos econômicos que dificultavam a soberania econômica indispensável para o desenvolvimento das jovens nações. A essa subordinação econômica chamamos neocolonialismo. As colônias portuguesas se tornaram independentes graças à ação de patriotas como Amílcar (Guiné) e Agostinho Neto (Angola), que pagaram com a vida a emancipação de seus países. Nas colônias ingleses , a independência acabou sendo reconhecida pela própria Coroa britânica , que tratou de assegurar o seu domínio econômico nessas regiões. A França lutou contra os movimentos pró-independência , especificamente na Argélia. A  resistência francesa opôs muçulmanos e argelinos de origem francesa, que detinham os melhores cargos e terras. Devido à interferência francesa , foi estimulada a aversão ao dominador , resultando num movimento de guerrilhas que, além de obrigar ao reconhecimento da independência , fez com que muitos argelinos franceses abandonassem o país, retornando à Europa , pois eram odiados pela população muçulmana (maioria). Os problemas do Congo surgiram após a independência . Rica em minérios, especialmente diamantes , a região se tornou alvo de disputa de vários países interessados em garantir reservas de exploração e concessões especiais. O chefe nacionalistas Lumumba , defensor da autonomia do país, foi assassinado devido a manobras de elementos de seu próprio governo; venceu a corrupção dos líderes mais comprometidos com seus próprios interesses do que com as necessidades da nação. O grande líder nacionalista egípcio foi o presidente Gamal Abdel Nasser , que assumiu o poder em 1954. Seu grande sonho era a unificação árabe, e , para isso, realizou conversações diplomáticas frequentes com os demais países. Na tentativa de forçar o conhecimento da autonomia egípcia frente às potências europeias, nacionalizou o Canal de Suez, passagem obrigatória de navios ingleses e franceses. Esse fato provocou imediata reação dos dois países e de Israel , que , na Guerra de Suez, havia se apoderado da região. Para evitar o agravamento do conflito , a ONU e os EUA defenderam a soberania egípcia e obrigaram e recuo de posições tomadas por Israel nas batalhas.


Escolhas e Repercussão Social



Toda sociedade grande e complexa tem, na verdade , as duas qualidades: é muito firme e muito elástica . Em seu interior , constantemente se abre um espaço para as decisões individuais. Apresentam-se oportunidades que podem ser aproveitadas ou perdidas. Aparecem encruzilhadas em que as pessoas têm de fazer escolhas , e de suas escolhas , conforme sua posição social, pode depender seu destino pessoal imediato , ou o de uma família inteira, ou ainda , em certas situações de nações inteiras ou de grupo dentro delas. Pode depender de suas escolhas que a resolução completa das tensões existentes ocorra na geração atual ou somente na seguinte. Delas pode depender a determinação de qual das pessoas ou grupos em confronto , dentro de um sistema particular de tensões , se tornará o executor das transformações para as quais as tensões estão impelindo, e de que lado e em que lugar se localizarão os centros das novas formas de integração rumo às quais se deslocam as mais antigas , em virtude , sempre , de suas tensões. Mas as oportunidades entre as quais a pessoa assim se vê forçada a optar não são, em si mesmas , criadas por essa pessoa. São prescritas e limitadas pela estrutura específica de sua sociedade e pela natureza das funções que as pessoas exercem dentro dela. E, seja qual for a oportunidade que ela aproveite , seu ato se entremeará com os de outras pessoas; desencadeará outras sequências de ações, cuja direção e resultado provisório não dependerão desse indivíduo , mas da distribuição do poder e da estrutura das tensões em toda essa rede humana móvel.

Elias, Nobert. A Sociedade dos Indivíduos . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. P. 48.


A República Fardada




Apesar do golpe militar promovido em 1964 , os movimentos dos estudantes e dos trabalhadores continuaram atuantes e criaram uma situação de contestação aberta ao regime , até dezembro de 1968 , quando foi decretado o AI-5 , que cassou todos os direitos do cidadãos, inclusive o de manifestação. Esses movimentos foram então tirados da cena à força da violenta repressão colocada em prática pelos militares. Entretanto, surgiram os movimentos armados (rurais e urbanos) de contestação ao regime , pois essa foi a única alternativa encontrada por muitos grupos organizados para protestar. Os sequestros (que visavam trocar prisioneiros do regime pelo sequestrado) e os roubos a bancos (para sustentar as ações contra o regime ) foram as ações mais utilizadas nas cidades. No campo, foram montados movimentos de guerrilheiros que procuravam organizar a população para fazer frente ao regime militar - o mais conhecido é a Guerrilha do Araguaia , apoiada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A repressão aos movimentos armados ocorreu de modo extensivo e cruel. Após o governo de Ernesto Geisel , de acordo com o projeto dos militares de fazer um retorno à democracia de modo lento e gradual e sob vigilância , foram organizados grandes movimentos políticos pela democratização da sociedade: o movimento pela anistia , que resultou na assinatura da Lei de Anistia pelo presidente-general João Baptista Figuereido, em 1979; o movimento Diretas Já , entre 1983 e 1984 , pelas eleições diretas , que não foram aprovadas pelo Congresso Nacional, e o movimento pela Constituinte , entre 1985 e 1986 , que conseguiu a aprovação da instauração de uma Assembleia Constituinte a partir de 1986. Nessa fase também foram importantes outros movimentos , que se caracterizaram pela resistência ao regime e pelas propostas que permitiram um grande avanço democrático nos anos seguintes. Destacam-se , entre eles , os movimentos grevistas em São Paulo , principalmente no chamado ABCD (Santo André , São Bernardo , São Caetano e Diadema) , região que concentrava o maior parque industrial do Brasil e , portanto, o maior número de trabalhadores industriais. Eles questionavam não só as condições salariais e de trabalho , mas também a legislação que não permitia a livre organização dos trabalhadores e o direito de manifestação. Desses movimentos nasceram a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e , lodo depois , o Partido dos Trabalhadores (PT). No campo , desempenhou importante papel no questionamento da situação da terra no Brasil e no enfrentamento do regime militar o Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) . Organizado no Sul do país, a partir de 1979, com apoio de parte da Igreja Católica (Pastoral da Terra) , do PT e da CUT , o MST tinha como objetivo fundamental criticar a estrutura da propriedade da terra no Brasil (onde o latifúndio é dominante) e as condições de vida dos trabalhadores rurais. Suas ações foram mais marcantes no período seguinte. Além desses movimentos surgiram outros, como o Movimento contra o Custo de Vida (MCV) , criado em 1973 , em São Paulo , e ativo por vários anos. O MCV chegou ao fim com o Plano Cruzado (1986) , que reduziu por pouco tempo os preços dos alimentos.


Saint-simon e a Nova Ciência Dos Fenômenos Sociais



Claude-Henri de Rouvroy- Conde de Saint-Simon - , apesar de pertencer à nobreza , avaliava que o Antigo Regime estava corrompido e não podia durar muito mais. Durante a Revolução Francesa, renunciou ao título de conde e adotou o nome plebeu Claude Henri Bonhomme. Saint-Simon via a história como um sucessão de épocas críticas (momentos de crise) e épocas orgânicas (assentadas em crenças e valores bem estabelecidos). Defendia a ideia de que o apogeu de um sistema coincidia com o início de sua decadência e apontava três épocas orgânicas na história ocidental: a Antiguidade greco-romana, seguida pela época crítica das invasões bárbaras; a Idade Média , seguida pela época crítica do Renascimento até a Revolução Francesa , e a era industrial , que já se podia vislumbrar. Saint-Simon detectava a existência de duas grandes classes em sua época e na sociedade francesa em particular : a dos ociosos (a a realeza , a aristocracia e o clero, os militares e a burocracia que administrava a estrutura dos que nada produziam) e a dos produtores ou industriais (cientistas , engenheiros , médicos, banqueiros, comerciantes , industriais , artesãos , lavradores , trabalhadores braçais , enfim , todos os cidadãos úteis para o desenvolvimento da França). Para que a sociedade pós-revolucionária na França se firmasse seria necessário que a ciência tomasse o lugar da autoridade da Igreja , formando-se assim uma nova elite , agora científica. A ciência deveria substituir a religião como força de coesão. Os cientistas substituiriam os clérigos e os industriais , senhores feudais . A aliança dos cientistas com os industriais conformaria a nova classe dirigente. Mas deveriam estar na direção apenas os mais capazes em cada campo.  E seriam chamados por saber mais da sociedade: os cientistas porque a estudavam e os industriais porque , pela prática , sabiam o que funcionava melhor. Desde 1803 Saint-Simon escreveu uma série de livros em que professava sua confiança no futuro da ciência e buscava uma lei que guiasse a investigação dos fenômenos sociais, tal como a lei gravitacional de Newton em relação aos fenômenos naturais. A nova ciência teria como principal tarefa descobrir as leis do desenvolvimento social , pois elas poderiam indicar para a sociedade o caminho do progresso continuado. Entre seus escritos, destaca-se : Reorganização da Sociedade Europeia (com Augustin Thierry, 1814) , A Indústria ou Discussões Políticas , Morais e Filosóficas no interesse de todos os homens livres e trabalhadores úteis e independentes (1816-1817), O Organizador (1819), O Sistema Industrial (1821-1823), O Catecismo dos Industriais (1822-1824) e Novo Cristianismo (1824).  


Uma Revolução Comunista na Rússia



Enquanto os mexicanos conquistavam sua constituição,  em 1917, na Rússia , a sociedade fervilhava . A maior parte dos russos vivia em condições precárias e desde 1905 lutava e se preparava para construir uma nova sociedade. A Revolução Russa de 1917 começou com a derrubada do czar, em fevereiro , e culminou em outubro , com a tomada do poder pelos bolcheviques , liderados por Vladimir Ilitch Uliânov , o Lênin, e depois também por Leon Trotski. O movimentos teve como base os trabalhadores urbanos e soldados , organizados em sovietes - o fato mais inovador dessa revolução - . Conselhos populares que expressavam a proposta de uma nova sociedade que fosse democrática e se orientasse pela vontade da maioria. Após a tomada do poder , com a constituição de uma nova estrutural estatal , os sovietes perderam pouco a pouco o poder.  O termo, no entanto , ficou gravado no nome da unidade política e nacional formada em consequência da revolução: República Soviética . Posteriormente foram agregados ao bloco socialista outros países e formou-se a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). No início , a nova república socialista precisava resolver vários problemas . Em 1918 , já no final da Primeira Guerra , teve de fazer um acordo de não agressão com a Alemanha . Nesse mesmo período , o Estado enfrentou a oposição de diversos setores , principalmente dos anarquistas , que queriam uma sociedade mais livre. Todos os focos de oposição foram eliminados.  Depois, entre 1919 e 1921, houve a luta contra os países europeus que não aceitavam a revolução (França , Alemanha e outros). Esses países enviaram tropas para apoiar os "russos brancos", que travavam uma guerra interna contra os "russos vermelhos" . Organizado e liderado por Trotski , o Exército Vermelho conseguiu derrotar os contrarrevolucionários e expulsar as tropas invasoras.  A situação , que era terrível por causa da Primeira Guerra MUNDIAL , tornou-se ainda pior no período de afirmação da revolução.  Mesmo assim, a propriedade privada foi extinta na União Soviética e procurou-se alterar a estrutura estátel e de serviços , como a educação , a saúde , os serviços ferroviários e bancários. A grande dificuldade foi mudar a estrutura da propriedade rural , que ainda era medieval , e a condição dos camponeses , precária em todos os sentidos. Assim, foi necessário primeiro privatizar a terra depois torná-la coletiva. Isso foi possível pela concentração do poder no Partido Comunista e no Estado. A partir de 1929, com a morte de Lênin , Joséf Stálin assumiu o comando da URSS e aprofundou a concentração do poder no Partido Comunista e no Estado, tornando-os quase a mesma coisa e eliminando a oposição. A parir de então, uma revolução que nascera com o propósito de transformar o sistema anterior e garantir a liberdade para todos gerou uma sociedade que teve parte dos problemas econômicos resolvidos, mas à custa da submissão a um Estado autoritário que oprimiu a maioria das pessoas. A União Soviética desmoronou na década de 1980 e teve seu fim assinalado pela queda do Muro de Berlim, em 1989. Deixou oficialmente de existir em dezembro de 1991.


Crise Do Café E Industrialização



Embora tenha passado por importantes períodos de crescimento como o da Primeira Guerra, a industrialização brasileira sofreu seu maior impulso a partir de 1929 , com a crise econômica mundial decorrente da quebra da Bolsa de Valores e Nova York. Na região Sudeste , essa crise se refletiu na produção do café. A partir de então , as atividades industriais passaram a apresentar índices de crescimento superiores aos das atividades agrícola , como fica evidente na observação do gráfico. Como a crise de 1929 reduziu bastante o volume de exportação do café , houve diversificação da produção da atividade cafeeira, embora a agricultura ainda continuasse responsável pela maior parte das exportações brasileiras até a década de 1970. Nesse período ocorreu a Revolução de 1930 , que desalojou a oligarquia agroexportadora paulista do poder e abriu novas possibilidades político-administrativas em favor da industrialização , uma vez que o grupo que tomou poder com Getúlio Vargas era nacionalista e favorável a tornar o Brasil um país industrial. O café , porém, permitiu a acumulação de capitais que serviram para implantar toda a infraestrutura necessária ao impulso da atividade industrial. Os barões do café, que residiam nos centros urbanos, sobretudo na cidade de São Paulo , para cuidar da comercialização da produção nos bancos e investir na bolsa de valores , eram detentores de enorme quantidade de capital no sistema financeiro , agora disponível para a implantação de indústrias. Todas as ferrovias , construídas com a finalidade principal de escoar a produção cafeeira para o Porto de Santos, interligavam-se na capital paulista e constituíam um eficiente sistema de transporte. havia também grande disponibilidade de mão de obra imigrante liberada dos cafezais ou já residente nas cidades , além de significativa produção de energia elétrica. é importante lembrar ainda que, com o colapso econômico mundial , diminuiu a entrada de mercadorias estrangeiras que poderiam competir com as nacionais. A associação desses fatores constituiu a semente do processo de industrialização , que passou a germinar notadamente na cidade de São Paulo onde havia maior disponibilidade de capitais, trabalhadores qualificados e a infraestrutura básica a que nos referimos. Áreas dos estados do Rio de Janeiro , Rio Grande do Sul e Minas Gerais também intensificaram seus processos de industrialização. Na instalação de novas indústrias predominava com raras exceções, o capital de origem nacional, acumulado nas atividades agroexportadoras. A maior parte das indústrias era de bens de consumo, com destaque para as de bens não duráveis, como as alimentícias e têxteis. A política industrial comandada pelo governo federal era a de substituir as importações , visando à obtenção de um superávit cada vez maior na balança comercial e no balanço de pagamentos , para permitir um aumento nos investimentos nos setores de energia e transporte. 


O Linkage



O nosso estudo de Genética foi dividido em duas partes. Na primeira , estudamos todos os casos em que os genes se segregam independentemente , conforme diz a segunda lei de Mendel. Assim, formam-se gametas com todas as combinações possíveis dos genes envolvidos. E esses gametas com recombinação gênica apresentam idênticas percentagens. Na segunda parte do nosso estudo, que começa agora , vamos ver os casos em que a segregação independente não ocorre , parecendo haver uma ligação fatorial entre genes não alelos. A segunda lei de Mendel diz que , na formação dos gametas , ocorre "segregação independente" , isto é , os genes se distribuem livremente , num perfeita análise combinatória , nos gametas . Hoje sabemos que esse fato só de dá entre genes situados em cromossomos não homólogos. Se os genes se encontram dispostos linearmente " num mesmo cromossomo" , a segregação independente não pode acontecer. Os cromossomos são mostrados na metáfase , já divididos em cromátides. Com a fragmentação dos centrômeros , as cromátides devem parar-se e vão constituir novos cromossomos. Na célula I , teremos 4 pares de cromossomos: (A e A) (a e a) (B e B) (b e b). Cada célula-filha receberá 1 cromossomo A ou a e 1 B ou b. Como essa distribuição (disjunção) é "independente" , existirão 4 possibilidades de combinação em idênticas proporções nos gametas. Já na célula II, após a separação das cromátides , evidenciam-se tão somente dois tipos de cromossomos: AB e ab , os quais irão para as células-filhas , dando 2 gametas iguais AB e 2 outros , iguais , ab. Nessa circunstância, não devem ser formados gametas "com recombinação gênica", como Ab e aB. Assim , o fenótipo de A estará sempre ligado ao fenótipo de B, bem como o fenótipo de a estará sempre vinculado ao fenótipo de b.  Nessa condição, dizemos que os caracteres determinados pelo par A (e seu alelo a ) e pelo par B ( e seu alelo b) estão "ligados" , "vinculados" ou linked. Portanto, os caracteres determinados por genes localizados no mesmo cromossomo mostram a tendência de se manterem unidos, qualificando a ligação fatorial, vinculação gênica ou linkage.  Entretanto , as pesquisas e a observação prática vieram mostrar que , mesmo nos casos de ligação fatorial, ocorre uma certa "taxa de recombinação" entre os genes linked. É bem verdade que, nesses casos, a frequência dos gametas com recombinação gênica é bem menor do que a dos gametas sem recombinação gênica.


Herança Ligada Ao Sexo



Os cromossomos X e Y possuem pequenas regiões homólogas (pseudoautossômicas) nas extremidades que se emparelham na meiose . Na parte não homóloga do X ( a maior) estão situados vários genes que controlam diversas funções no organismo , entre elas a produção de pigmentos nas células da retina , que possibilitam a visão de cores e a produção de uma proteína importante para a coagulação do sangue. Mutações nesses genes podem causar distúrbios, como o daltonismo (dificuldade de percepção de certas cores) e a hemofilia (dificuldade de coagulação do sangue). Os genes situados nessa região especial do cromossomo x são chamados de genes ligados ao cromossomo X. O tipo de herança no qual estão envolvidos é chamado de herança ligada ao sexo ou herança ligada ao cromossomo X. Os alelos desses genes podem aparecer em dose dupla nas mulheres; mas o homem (XY) só apresenta um deles. Por isso a mulher pode ser homozigótica e heterozigótica para esses alelos; o homem é caracterizado como hemizigótico. Assim, se ele possuir um alelo para um caráter recessivo ligado ao sexo (como o daltonismo e a hemofilia), esse caráter recessivo só se manifestará quando o alelo estiver em dose dupla. Essa situação acarreta a existência de um número maior de homens que de mulheres com caracteres recessivos ligados ao sexo. Para entender esse fato convém lembrar que a probabilidade de ocorrerem dois alelos no mesmo indivíduo é o produto das probabilidades desses alelos isoladamente.  Por exemplo, se a frequência de determinado alelo d é 10% , essa será a frequência de machos portadores da característica , representados por XdY (Os alelos exclusivos do cromossomo X são representados à direita e acima) . Para apresentar essa característica, uma fêmea deve ser XdXd : a probabilidade será 10% ) 10% = 1%.


A Reprodução Dos Seres Vivos



Até a metade do século passado, era comum a crença de que os seres vivos pudessem originar-se a partir da matéria bruta, inanimada , existente no meio. Nisso se baseava a antiga concepção da geração espontânea. Os conhecimentos  modernos de Biologia vieram mostrar que , nas condições atuais do mundo, todo ser vivo provém de outro ser vivo , por um processo mais simples ou mais complicado de reprodução, mas nunca por geração espontânea. A reprodução é um fenômeno presente em todos os tipos de seres , sejam eles animais, plantas , bactérias ou vírus. Nem sempre a reprodução exige a participação conjunta de dois indivíduos de sexos diferentes. Nós veremos casos em que um indivíduo isolado (uma fêmea) pode ter crias. Também veremos que, para haver reprodução , mas nunca por geração espontânea. A reprodução é um fenômeno presente em todos os tipos de seres , sejam eles animais , plantas , bactérias ou vírus. Nem sempre a reprodução exige a participação conjunta  de  dois indivíduos isolado (uma fêmea) pode ter crias. Também veremos que, para haver reprodução sexuada entre um macho e uma fêmea , não há necessariamente a obrigação de haver um ato sexual ou cópula. As plantas reproduzem-se sexuadamente e, entre elas , não há nenhuma realização de coito. Os anfíbios , como os sapos , realizam um encontro que não passa de um aparente ato sexual, pois , na realidade , espermatozoides e óvulos são lançados na água. E nela ocorre a fecundação. Existem ainda, outros e seres que requer produzem espermatozoides ou óvulos. Eles não se reproduzem a partir de células especializadas para a reprodução , mas graças à simples fragmentação dos seus corpos. Estes seres nem precisam de  órgãos sexuais, como  é o caso da ameba. Já com mais complexidade , existem seres que possuem num único corpo os órgãos reprodutores de ambos ou sexos. Eles são chamados hermafroditas. E muitos deles podem fecundar-se a si mesmos (autofecundação) , originando descendentes. É o que ocorre , por ocorre, por exemplo , com as tênias ou solitárias. Como você vê , o fenômeno da reprodução é muito variável nas suas formas de ocorrência. Muitas vezes , você vai observar que um mesmo grupo de organismos pode realizar diferentes modalidades de reprodução , conforme circunstâncias especiais do ambiente ou da sua própria condição interna. O fenômeno da reprodução abre caminho para comentários sem fim . Alguns deles são capazes de nos levar a conjecturas muito atraentes . Veja , por exemplo, que numa simples ejaculação de um homem normal, são eliminados de 200 milhões a 300 milhões de espermatozoides. Se cada uma dessas células pudesse originar uma nova criatura , um homem estaria apto a povoar toda a América do Sul com um única ejaculação. E, durante toda a sua vida , ele poderia povoar grande parte de uma galáxia. No entanto , cada homem , no mundo moderno, não tem mais que alguns poucos descendentes. Admitindo-se que a população humana mundial tenha cerca de três bilhões de pessoas , e que cada uma delas tenha surgido a partir de um espermatozoide , poder-se-ia, então calcular que todos os espermatozoides que originaram a atual população mundial (tendo em vista a pequeníssima dimensão do gameta masculino) caberiam no modesto espaço de uma pílula.  Outra conjectura interessante revela que o corpo de um homem adulto tem um peso 50 bilhões de vezes maior do que o peso do pequeno zigoto que o originou . O zigoto , você se lembra , é a primeira célula resultante da união de um espermatozoide com um óvulo. E essa célula se reproduz tantas vezes , que aos poucos , o organismo se diferencia , surge , nasce e cresce. Mas tudo isso acontece dentro de uma incrível programação genética contida inicialmente nos minúsculos núcleos dos gametas. Quase tudo o que acontece na intimidade de um organismo já estava planejado (como uma programação de computador) através de genes muito especiais. Veja bem : se os alimentos são mais ou menos os mesmos para todos os tipos de indivíduos , e os fenômenos nutritivos apresentam impressionante semelhança entre todos os seres , como explicar que, a partir dos mesmos protídios , glicídios , lipídios , sais e vitaminas , cada organismo se desenvolva , formando suas próprias substâncias , tanto no sentido específico quanto individual ? Podemos constatar este fato observando que do mesmo solo e , portanto, das mesmas fontes nutritivas , diferentes plantas formam seus frutos com sabores diversos , como o lião , o jiló , a banana , ou produzem flores das mais variadas formas , dimensões , cores e perfumes. Toda a "programação" de cada organismo está contida no núcleo das suas células , sede dos fatores de ligação entre o indivíduo e a sua descendência.  A Reprodução e Genética são dois capítulos indissociáveis da Biologia . Estão sempre de mãos dadas.


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